outubro 21, 2010

Kusamono Shitakusa Kokedama Wabikusa

Gostaria de compartilhar com vocês algumas informações sobre os quatro assuntos principais que dão título a esta postagem: Kusamono ou Shitakusa, Kokedama e Wabikusa.

Cada um destes nomes refere-se a um estilo de arte contemplativa japonesa envolvendo a elaboração de layouts com plantas terrestres, aquáticas ou palustres, sendo que a mais conhecida atualmente, pelo menos entre os aquaristas, é exatamente o estilo mais recente, o Wabikusa "criado" e popularizado pela ADA. Eu coloquei a palavra criado entre aspas por que na verdade o Wabikusa, não foi exatamente criado, o estilo é uma adaptação que envolve conceitos, técnicas e bases dos outros estilos, os quais veremos com mais detalhes individualmente.

Suikei
Antes de tudo precisamos estabelecer uma característica tão simples quanto básica referente a temporalidade destes arranjos. Todos estes quatro estilos são elaborados com elementos vivos, que irão crescer, desenvolver-se e mudar conforme o tempo, eles tem portanto duração indeterminada e não breve. Outros estilos existem para os arranjos não vivos e de existência mais breve, como os famosos arranjos Ikebana ou ainda o Suiseki que se trata da apreciação de rochas, que podem ter muitas formas e evocar semelhanças a pessoas, animais, objetos, plantas, paisagens ou mesmo simples abstrações, mas que trazem consigo algum valor estético, na página Suiseki da Wikipedia Espanhol é possível ter uma boa visão sobre o estilo e suas formas variadas. Na foto acima exemplo de Suiseki Keiryu-seki (forma de corrente).

Kusamono ou Shitakusa
Kusamono
Kusanomo são arranjos que primitivamente eram elaborados como acompanhamento para exibições de Bonsai no estilo clássico (Tokonoma), de pinturas, poemas (Haiku), Suiseki, etc. Estes pequenos arranjos funcionavam como auxiliares, portando eram criados de forma a complementar um conjunto, sem sobrepor o assunto primário, ou até aludir a origem da peça principal, por exmeplo de onde veio o Suiseki ou Bonsai ou qual a inspiração para o Haiku. Sua composição usa vasos para Bonsai ou bandejas próprias chamadas Suiban e sua beleza está na simplicidade. Com o passar do tempo o Kusamono passou a ter sua estética apreciada separadamente e ganhou vida própria na forma de belos arranjos vivos com feições naturais, recebe o nome de Shitakusa. Um bom Kusamono não é algo estático, ele cresce e muda conforme o passar do tempo. Na foto acima note que o pequeno Kusamono contrapõem e equilibra a visualização do imponente bonsai.

Kokedama
Kokedama
O Kokedama era considerado o Bonsai dos pobres, visto que os Bonsai propriamente ditos eram reservados as elites Japonsesas com poder aquisitivo para isso. O grande diferencial do Kokedama é sua simplicidade em termos de elaboração/manutenção e principalmente o seu substrato em forma de bola coberto de musgo verdejante, efeito que é conseguido com a utilização de musgo para compor um torrão redondo onde as plantas serão fixadas, geralmente é mais elaborado que o Kusamono, pois é primariamente uma peça individual, portanto não há preocupação com o fato de sua elaboração poder ser bem mais cuidadosa. Pode ser exibido em qualquer tipo de recipiente, dos clássicos aos moderno recipientes que qualquer um tem casa. Assim como o Kusamono o Kokedama é muito popular no Japão e se espalhou pelo mundo por sua beleza simples. 

Wabikusa
Wabikusa
Chegamos finalmente ao Wabikusa, quem já viu um já deve ter percebido quanto do Kusamono e do Kokedama são intrínsecos ao Wabikusa, que pegou emprestado a estrutura e a estética dos dois estilos, fazendo uma distinção específica: O Wabikusa é feito com espécies de plantas palustres, ou seja, plantas que poderão perfeitamente passar do estado emerso para o submerso, uma sacada genial da ADA, e chegamso finalmente aos nossos aquários. A ADA dispõe de solos específicos que tornam possível a criação do torrão que será submerso parcial ou completamente, diferente do estilo Kokedama em que o solo é apenas mantido húmido. Na foto acima o mesmo arranjo fora e dentro do aquário em desenvolvimento.

É interessante notar como os conceitos se cruzam, onde eles se originam e como eles evoluíram até o que hoje chega até nós, desta forma podemos aperfeiçoar nossas escolhas e compreender de forma mais técnica a questão da estética Nature Aquarium. Como bom exemplo podemos citar o uso do Iwagumi, a técnica de arranjo de rochas que também tem suas raízes nos jardins japoneses, a pesquisa é parte fundamental do aprendizado e espero com este esforço ter criado subsídios necessários para aqueles que queiram dar seus primeiros passos na área ou simplesmente ir um pouco mais além.

Recursos
Como este artigo envolve vários assuntos que de alguma forma se relacionam eu resolvi compartilhar uma sério de links onde cada um deles é tratado com mais propriedade. Aqui estão:

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