novembro 18, 2010

Aquascaping x Conhecimento

Quem freqüenta fóruns de aquarismo, em especial de aquários plantados, sabe que um dos pedidos de ajuda mais comuns é quanto a escolha das plantas para um aquário ou layout novo, muita gente tem dificuldade em escolher as plantas, principalmente quem está começando, o que é absolutamente normal. 

Como forma de ajudar eu sempre recomendo que a pessoa estude as plantas aquáticas do ponto de vista do seu desenvolvimento, exigências e utilização nos layouts. A forma mais prática e acessível para aprender como usar as plantas são os sites de concursos de aquários plantados (CBAP, CPAAGA Contest, Hungarian AC, etc.)   onde se pode conferir as fichas onde constam as espécies utilizadas naquele layout. Com a utilização do nome científico da espécie você pode consultar um site americano, francês ou italiano e mesmo assim vai saber quais plantas foram usadas, por isso também é importante aprende-los. Na dúvida sobre qual a aparência tem uma espécies que não identificamos o Google sempre ajuda, basta digitar o nome é pedir para que ele pesquise imagens, funciona em quase 100% dos casos.

O conhecimento em relação as necessidades é importante por que cada aquário é um ambiente único e deve ser construído em razão daquilo que irá abrigar, seja flora ou fauna. Existem plantas de crescimento rápido e lento, grandes, médias e de pequeno porte, plantas muito resistentes e adaptáveis a vários aquários e plantas que exigem condições específicas seja de luz, nutrição mineral ou níveis de dióxido de carbono (CO2). Mesma situação para fauna, não se pode pôr qualquer peixe no aquário, é preciso que a espécie seja adequada para o aquário ou o aquário adequado a espécie, assim como as plantas alguns peixes precisam de condições específicas para terem uma vida saudável, podemos citar um exemplo entre duas espécies comuns em qualquer região: Para ficar entre os mais comuns cito Kinguios e Neons, são peixes que quase todo aquarista já manteve, inclusive juntos, mas são peixes com necessidades completamente opostas, pois Kinguios são peixes de água fria e alcalina e Neons são peixes de águas tropicais e ácidas, por estes peixes pertencem a dois tipos de aquários com condições diversas entre si. Existem diversas galerias de espécies de Peixes e espécies de Plantas organizados em fichas com diversas informações que podem ser consultadas livremente na internet.

Conhecer todos estes parâmetros nos torna capazes de idealizar de forma sólida como poderá eventualmente evoluir um aquário que estamos projetando, dai a importância de conhecer bem todas as nossas espécies disponíveis, seja fauna ou flora. 

Já li e ouvi diversas vezes frases como "não gosto de aquários plantados por que não tem peixes", mas isso não é uma verdade em nenhum aspecto. Aquários plantados como os mais modernos evoluíram em cima de conceitos desenvolvidos nos últimos 30 anos, em especial a década de 90 e o ínicio do século 21, regras estas que passaram a utilizar o conhecimento que a própria natureza emprega para manter seu equilíbrio, a maior expressão hoje sem dúvida é o estilo Nature Aquarium da ADA e seu equilíbrio entre fauna e flora. Nestes aquários fauna e flora se equilibram pelo bem comum do aquário, o que as pessoas não costumam ponderar é que uma grande quantidade de plantas é necessária para uma pequena fauna, isso acontece em qualquer nicho ecológico, não é diferente em nossos aquários onde as plantas participam ativamente dos ciclos químicos dos elementos. De qualquer modo eu acho natural ouvir "quase não tem peixes" por que há realmente uma diferença absurda entre a fauna equilibrada de um aquário moderno e os "aquários comunitários" tão populares até anos atrás. Há muitos artigos na internet falado sobre isso.

Outro dia um amigo me questionou a respeito do quão natural seriam "estes Nature Aquarium que usam tantos e tantos suplementos, fertilizantes, etc". Primeiro precisamos ter em mente que a tradução literal do termo Nature Aquarium, ou seja, Aquário Natural não responde a pergunta "O que é um Nature Aquarium?" e cria um erro de conceito, pois essa designação não diz respeito a sua manutenção ou estrutura, estando mais relacionado a sua fundamentação paisagística. Como eu brinquei naquele momento "o aquário natural não se propõem a ser um aquário natureba" mas é solidamente apoiado em tecnologia e manutenção de certa forma intensa, e essa tecnologia por sua vez veio da observação dos processos biológicos e ecológicos que em um sistema fechado como um aquário jamais poderiam ser reproduzidos de forma absolutamente exata. No entanto a dinâmica do paisagismo aquático no Nature Aquarium segue um linha estilística fundamentalmente natural, baseada no conceito de paisagem natural e na sua estética. Para conhecer o método El Natural de Diana Walstad recomendo ler este livro, pois este se baseia em um conjunto de práticas mais condizentes com o termo literal de aquário natural.

Fazendo uma análise das técnicas utilizadas, como o Iwagumi ou o Wabikusa, podemos observar que todas elas derivam da observação da própria natureza e na tentativa de reprodução da sua estética, mas sempre se utilizando de artifícios tecnológicos que os tornem possível de existir, daí a denominação Nature Aquarium.

Esse texto enorme brotou de um artigo que eu tive oportunidade de ler esta manhã e foi postado primeiramente pelo Marcos Ricardo do Aquafloripa e depois reproduzida pelo Fábio Correa do Aqualize, sendo um artigo original do site RoslinyAkwariowe.pl neste tópico (exige resgistro), uma tradicional comunidade online da Polônia. É um experimento tão absurdamente simples quanto revelador para qualquer um que simplesmente pare e olhe com mais atenção. Um simples experimento demonstra de modo simples um pouco do que falei acima.

Display: 80x30x35cm
Sistema de filtragem: Eheim 2028
Iluminação: 4x24W T5 - Sylvania Grolux, Aquastar, 865, 830
Injeção de CO2: cilindro pressurizado 1,5 kg, com difusor de vidro
Substrato: ADA Amazonia II, Oliver Knott Nature Soil FINE
Fertilização: ADA Green Brighty STEP 2, Seachem Potassium, Easy Life Easy Carbo
Plantas: Conforme o mapa abaixo.

Mapa de Plantio
Mapa do plantio.
1º Dia após plantio
1º dia após o plantio.

1ª Semana após plantio
1ª Semana após o plantio.

1º Mês após plantio
1º Mês após o plantio.

2º Mês após Plantio
2º Mês após o plantio, fim do experimento.
Observando as imagens podemos clamaremente perceber a forma e o ritmo de crescimento de cada espécie utilizada, vale destacar que o resultado final do paisagismo só foi alcançado por que o aquarista sabia o que e onde plantar, ai está em fotos a importância do estudo de cada espécie para composição do layout.

2 Comentários:

marcos.ricardo.br@gmail.com disse...

Obrigado pela citação Alex!

Realmente é muito legal ver como foi montado esse aquário e como ele demonstra o desenvolvimento das plantas e do próprio aquário (sem algas), tornando-se um belo plantado.

Ah, só gostaria de retificar que falou um R no Ricardo de meu nome! hehehe

Abraços

Xylema disse...

Um dos trabalhos mais ingratos atualmente é tentar convencer as pessoas que aquários plantados precisam de plantas em seu início, não 2 mudinhas disso ou daquilo, mas plantas em quantidade suficiente para dar início ao setup, por mais que se tente explicar pouco adianta, falar sobre filtragem biológica é perda de tempo, só querem saber de soluções mágicas para surtos de algas (leia-se química), mas não atacam a raiz do problema: a falta de plantas no setup inicial.

Temos tantos produtos bons hoje para acelerar a biologia no início da montagem, junto com uma boa quantidade de plantas e um setup ajustado isso garante um aquário incrível em pouco tempo... Mas as pessoas preferem gastar dinheiro com tudo, menos com plantas que são os itens menos valorizados pela maioria dos aquaristas iniciantes, como se fosse qualquer matinho achado pelas esquinas, o que não é verdade.

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